O dólar americano recuperou-se na quinta-feira após perdas iniciais, impulsionado pelos fortes resultados da gigante de tecnologia Nvidia, enquanto os traders se preparavam para mais detalhes sobre a nova política tarifária e acompanhavam as negociações diplomáticas. O índice do dólar caminha para uma leve queda semanal, mas segue exibindo volatilidade alimentada por resultados corporativos e por fatores geopolíticos.
Às 11h00 (08h00 GMT), o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas — avançava 0,1%, para 97,650, embora acumulasse recuo de cerca de 0,2% na semana.
A queda inicial do dólar refletiu a reação do mercado ao balanço da Nvidia: as vendas do trimestre encerrado em janeiro superaram as expectativas dos analistas, e a projeção de receita para o trimestre corrente ficou acima do consenso, elevando o apetite por risco e reduzindo a demanda pela moeda americana como ativo de refúgio.
Analistas do ING observaram que "a melhora do sentimento pressionou o dólar nas últimas 24 horas, com apenas o iene registrando desempenho inferior entre as moedas do G10 ontem".
Ainda assim, os traders permanecem atentos a possíveis reações do governo dos EUA à decisão da Suprema Corte, de 20 de fevereiro, que anulou as tarifas de emergência impostas pelo presidente. Na quarta-feira, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as alíquotas para alguns países poderão subir para 15% ou mais, ante os 10% recentemente introduzidos, sem especificar parceiros comerciais nem fornecer detalhes adicionais.
Outra fonte de incerteza são as reuniões entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã, em Genebra, destinadas a discutir um acordo nuclear. O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que "coisas ruins" podem acontecer ao país do Oriente Médio caso não haja progresso significativo nas negociações.
O ING avalia que "qualquer escalada nesse contexto parece ser o catalisador mais provável para um rali mais amplo do dólar, especialmente diante da confiança gerada pelos resultados da Nvidia e da ausência de divulgações macroeconômicas relevantes".
Ainda assim, o banco pondera que "de modo geral, pode haver alguma estabilização do dólar hoje, embora persistam riscos de baixa, já que o impacto positivo dos resultados da Nvidia pode manter os mercados afastados das moedas de refúgio por mais algum tempo".
Movimentos cambiais e dados
O EUR/USD caiu 0,1%, para 1,1798; dados de confiança do consumidor da zona do euro devem ser divulgados durante a sessão. No entanto, tanto esse relatório quanto os números de inflação de sexta-feira dificilmente moverão muito o euro, a expectativa é que o Banco Central Europeu mantenha as taxas inalteradas.
"Por enquanto, o diferencial de juros de curto prazo entre EUR e USD permanece desfavorável para o EUR/USD, mas não vimos uma restauração suficiente da confiança no dólar para prever uma queda acentuada a partir daqui. Ainda vemos 1,1750 como um suporte sólido, salvo uma séria escalada no Irã", afirma o ING.
O GBP/USD recuou 0,3%, para 1,3523. A libra tem tido dificuldade para reagir à melhora do sentimento no setor de serviços empresariais e profissionais do Reino Unido: a pesquisa trimestral da CBI mostrou o otimismo subindo para -3 em fevereiro, ante -50 em novembro, a leitura mais alta desde agosto de 2024, mas isso ainda não se traduziu em ganhos expressivos para a libra esterlina.
Na Ásia, o USD/JPY caiu 0,3%, para 156,01, após o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, dizer ao Yomiuri Shimbun que os formuladores de política irão analisar os dados nas reuniões de março e abril, deixando em aberto a possibilidade de outro aumento de juros caso a inflação e os salários permaneçam firmes. Esses comentários elevaram as expectativas de uma normalização gradual da política monetária no Japão. Antes disso, o iene havia enfraquecido após relatos de que a primeira-ministra Sanae Takaichi demonstrou cautela quanto a novas altas de juros, após a nomeação de dois candidatos de perfil dovish para o conselho do BOJ.
Na China continental, o USD/CNY caiu 0,4%, para 6,8392, atingindo uma nova mínima de 34 meses em meio às expectativas de apoio de políticas antes da sessão anual do parlamento chinês, o Congresso Nacional do Povo. Investidores aguardam metas de crescimento e possíveis sinais de estímulo fiscal que definirão as prioridades de Pequim neste ano.
Outros cruzamentos: AUD/USD caiu 0,1% para 0,7114, NZD/USD caiu 0,2% para 0,5988.
Como os traders podem lucrar com a situação:
- Monitore os principais gatilhos: acompanhe os resultados das grandes empresas de tecnologia (incluindo a Nvidia), as declarações oficiais sobre tarifas do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o andamento das negociações entre EUA e Irã em Genebra. Esses fatores tendem a influenciar diretamente o apetite por risco e a demanda pelo dólar.
- Aproveite a volatilidade em torno das divulgações: estratégias com risco limitado, como opções e spreads, podem capturar movimentos direcionais mais intensos e, ao mesmo tempo, reduzir a exposição em caso de reversões abruptas.
- Negocie por meio de correlações: resultados corporativos positivos e o arrefecimento das tensões geopolíticas normalmente favorecem ativos de risco (AUD, NZD, EUR, GBP) e pressionam o dólar. Por outro lado, uma escalada de riscos tende a fortalecer o dólar e o iene como ativos de proteção.
Níveis técnicos e gestão de stops: – Para o EUR/USD, monitore a região de 1,1750, conforme destacado pelo ING; Utilize o patamar atual do índice do dólar (97,650) como termômetro do sentimento geral do mercado; Em USD/CNY e pares asiáticos, observe as mínimas recentes e possíveis decisões de estímulo por parte da China.
- Gestão de risco: ajuste o tamanho das posições e os níveis de stop à volatilidade elevada. Esteja preparado para movimentos rápidos e expressivos diante de anúncios inesperados sobre tarifas ou eventos geopolíticos súbitos.
Fique atento ao calendário econômico (confiança do consumidor na zona do euro, índices de inflação e reuniões do banco central) e às notícias sobre tarifas — a direção do mercado cambial hoje está sendo definida por uma combinação de relatórios corporativos, decisões políticas e geopolítica.